sábado, 9 de dezembro de 2017

Barton Fink 1991


Direção dos irmãos Joel e Ethan Coen. Com John Turturro, John Goodman, Michael Lerner, Judi Davis.
Os Coen transformaram em filme o drama e a neurose que pode atingir todo artista no momento da criação. A busca pela chamada inspiração, a dúvida de estar produzindo algo que presta, a indecisão de assumir ou não o ofício de ser um criador, tudo está explicita ou implicitamente expresso na história de Barton Fink ( Turturro, ideal para o papel ) o teatrólogo que vai para Hollywood testar seu talento ao se tornar roteirista contratado por um impagável produtor ( Michael Lerner, concorreu a melhor Coadjuvante ao Oscar).
John Goodman surge como um homem comum, que torna-se amigo do escritor, mas depois se mostra alguém tão demente quanto aquele que se propõe ser um artista brilhante. O fogo no corredor do hotel onde estão hospedados, e a cena em que, depois de horas de angustia, o autor finaliza seu roteiro, sai para comemorar num salão de baile e acaba esmurrado por um marinheiro são memoráveis.

Mother, de Candice Breitz


Videoarte com mães do cinema, vi na faculdade.

E.T. O Extraterrestre 1982

Com Henry Thomas, C.Thomas Howell, Dee Wallace Stone, Drew Barrymore e Peter Coyote.
Fenômeno cinematográfico, esse filme causou frisson da época de sua exibição. Catalisou a emoção de famílias inteiras, no mundo inteiro. Quando o vi tinha uns oito anos de idade. E foi algo incrível, não lembro de nada parecido desde então. Fomos a parentada toda ao cinema, a sala lotada, pipoca para todo quanto é lado. O filme começa sombrio, com lanternas fugazes no mato, perseguindo não sei o que. Fica cada vez mais humano e engraçado, com crianças se relacionando com aquela criatura um tanto feia, de olhos grandes e dócil.
O clímax da choramingação desembestada é quando o alienígena resolve telefonar para casa. Quando todos pensam que o pobre coitado morreu, o bendito do vaso com flor murcha começa a florescer novamente. E o ápice da empolgação é a cena em que as bicicletas voam. Os pneus deixam de tocar o chão, entra a infalível trilha sonora de John Williams e a platéia inteira se descontrola num extraordinário, e até hoje inesquecível coro de aplausos.
Steven Spielberg mereceu o título de mago com essa cena especifica e ao causou naquela sala lotada do Cine Comodoro. Posteriormente fez outros clássicos como a Lista de Schindler e o Resgate do Soldado Ryan, mas seu Império do Sol , estrelado pelo batman Christian Bale ainda criança, não acho tão emocionante.


Caro Diario / 1994

Escrito e dirigido por Nanni Moretti. Com Nanni Moretti, participação especial de Jennifer Beals, interpretando ela mesma.


Monótono filme italiano, que ganhou prêmios em alguns festivais internacionais. Moretti faz um cinema de autor, digamos uma espécie de Woody Allen italiano. O filme é confessadamente autobiográfico, e só vai satisfazer aqueles que se interessam por uma expressão artística mais pessoal e subjetiva, ou seja, deve-se embarcar  no tom reflexivo do filme para entender algo, ou simpatizar-se com algo. Moretti divide o filme em três capítulos: Na Lambreta, Ilhas, e Médicos. Cada capítulo ilustra episódios da vida do diretor, seus sentimentos e pensamentos. É um diário filmado.

Algumas cenas são contemplativas, e se estendem, o que pode aborrecer alguns espectadores. Vemos paisagens, casas, ele pilotando a vespa por bairros italianos, e por aí vai. Talvez funcione melhor para quem conhece a Itália também. O melhor episódio é o terceiro, quando o diretor retrata momentos de sua vida na qual se viu doente, com câncer. Concluindo, para quem curte um filme de arte, tudo bem, mas se seu negócio é videoclipe e ritmo acelerado, esqueça. O humor é sutil e mínimo, porém humano.

Monty Phyton´s Flying Circus Vol.1

Com Graham Chapman, Michael Palin, Terry Jones, Eric Idle, John Cleese e as animações surreais de Terry Gilliam.

Compilação de sketches do grupo Monty Phyton ( digamos, o Casseta e Planeta da Inglaterra ). O humor é britânico e intelectualizado, o que desagrade alguns. Por vezes é estúpido, e o riso é causado pelo ridículo, um tanto besteirol. É um tipo de humor que apela para maluquice e coisas fora de propósito, situações num contexto insólito.

Os destaques ficam para sketche do killing joke, sobre uma piada tão engraçada que mata as pessoas de tanto rir, a corrida de bicicletas entre pintores famosos, começa com um comentário sobre Pablo Picasso pintar um quadro em movimento, e termina com Toulose Lautrec numa espécie de velotrol, e a paródia de Superman, o Bicycle Repairman.

É um bom programa para quem curte o grupo, de filmes como O Sentido da Vida e Em Busca do Cálice Sagrado. O interessante é o modo como eles interligam as situações, são duas horas de sketches variadas mas com continuidade, não há uma quebra de ritmo, eles colaram de forma que todas formam algo compacto. Pode não agradar a todos, mas que os humoristas são criativos, isso eles são, não há como negar.