sábado, 2 de fevereiro de 2019

Cisne Negro: a vida artística imita a arte

Desaconselharam assistir ao filme. Indigesto, foi como qualificaram. Cenas e desdobramentos do enredo foram antecipados. Mesmo assim, queria conferir a performance da atriz Natalie Portman como bailarina. Terror psicológico, como leu num blog. Darren Aronofsky, o diretor, também era um nome a considerar. A proximidade da cerimônia do Oscar inflava a retomar a cinefilia.

Desde a primeira cena fica claro que trata-se sobre delírio, terror e beleza. E balé. A inexplicável autoflagelação a que um artista pode submeter seu corpo em nome do ofício. Já sabia que testemunharia o sacrifício de dançar na ponta dos pés, com closes de sapatilhas e unhas em carne viva. O que o desaconselhava a não ver, talvez enxergar, era a similaridade entre vida e arte. Certa confusão que um ser humano pode fazer entre realidade e ficção.

Para Nina, a personagem protagonista de Portman, interpretar o cisne branco e o cisne negro do balé a leva à um turbilhão de sensações, para não dizer um surto. Para o espectador, melhor preparar-se, prontidão para o desfecho da história. "Perfeito", diz a protagonista, e perfeito para o pronto espectador e para quem reconhece um roteiro redondo de cinema.

Não pode-se dar as costas ao filme. A câmera que segue os passos de Nina, revelando as costas da atriz coça com o sentimento de persecutoriedade. A sabotagem da bailarina adversária, cujas costas são tatuadas com asas faz rima com o cisne, e o sangue que brota de unhas e unhas e unhas. Tente rodopiar em busca de equilíbrio. Dançar sob efeito estroboscópico de luzes a procura de juízo e sobriedade, e mais um tanto de sensatez. Na boate, ela pergunta: "Dura apenas duas horas?" Duas horas foi exatamente o que levou. Entrou na sessão do meio dia, e saiu às 14h.

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